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Tópico: THE POOR MAN JOURNAL
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13/05/20 - 00:06
  Quote  #1
Mensagem por RCComes
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I'M BACK!

Siiiiim, crianços. A publicação mais aguardada do forum está de volta.
E agora muito mais séria.

Abaixo o Primeiro de uma série de artigos que traremos para vocês, amiguinhos.

                                              THE POOR MAN’S JOURNAL

                          MOVIMENTOS IN HOUSE NA INDÚSTRIA RELOJOEIRA.


Há alguns anos vemos uma grande tendência nas marcas de entrada e, sobretudo, mid range (falando de relógios acessíveis, deixemos os ultracomplicados e high end para outra oportunidade).
Isto acabou gerando, mesmo que de forma inconsciente, a noção de que se não é in house não é bom. Veremos que não é bem assim.

In house ou modificado, qual a diferença?

Por definição, um calibre in house, é aquele desenvolvido desde sua base pela própria manufatura, como por exemplo o cal. 8500 da Omega, que serviu de base para a linha 86xx, 89xx e etc.
Poderiamos referir o cal. B01 da Breitling. Mas este não é tão in house como vocês imaginam. Vou falar sobre ele mais abaixo.

Normalmente um calibre modificado é encontrado em manufaturas de entrada, tem como base um calibre já pronto, o qual é renomeado pela manufatura, e neste temos adição de alguma complicação, como por exemplo calendário, ou a troca do balanço, ou a supressão de um acumulador no cronógrafo, alteração de frequência para atingir uma maior reserva de marcha, etc, etc e etc.
Posso citar, por exemplo, a Hamilton. Nos novos calibres da linha H, o qual é base ETA, os balanços são trocados por Free Sprung, a redução da frequência para 21.000 VPH para atingir 60 horas na reserva de marcha e etc.
Outro exemplo são os Alpina, que tem como base calibres Sellita.
Enfim, a título de esclarecimento, modificado é todo aquele que tem a base de um calibre pré-existente mas, no entanto, desenvolvido por terceiros.

In House, e daí?

Bom, após esta breve introdução, vamos ao que realmente importa. O que eu ganho tendo um relógio com movimento in house? No máximo satisfação pessoal. Nada além.
Vamos aos fatos: mecanicamente não há nada novo. Abaixo um pequeno comparativo entre uma valjoux "pura", Hamilton H-31 e o Cal. Omega 9300:

VALJOUX

Brand:     ETA
Reference:     7750
Movement:     Automatic
Display:     Analog
Diameter:     30.00
Jewels:     25
Reserve:     42
Frequency:     28800
Date:     Date, Day
Chronograph:     Chronograph
Hands:     Hours, Minutes, Small Seconds
Fonte: https://watchbase.com/eta/caliber/7750

HAMILTON H-31

Brand:     Hamilton
Reference:     H-31
Base:     ETA 7753
Movement:     Automatic
Display:     Analog
Diameter:     30.00
Jewels:     27
Reserve:     60
Frequency:     28800
Date:     Date
Chronograph:     Chronograph
Hands:     Hours, Minutes, Small Seconds
Fonte: https://watchbase.com/hamilton/caliber/h-31

OMEGA CAL. 9300

Brand:     Omega
Reference:     9300
Movement:     Automatic
Display:     Analog
Jewels:     54
Reserve:     60
Frequency:     28800
Date:     Date
Chronograph:     Chronograph, Column wheel
Hands:     Hours, Minutes, Small Seconds
Additionals:     Chronometer, Co-Axial Escapement
Fonte: https://watchbase.com/omega/caliber/9300



VALJOUX
Chrono day/date, 42 horas de reserva de marcha, frequência de 28.8k VPH (que é a frequência que considero mais equilibrada entre precisão e conservação mecânica).

HAMILTON H-31
Acima, temos um Hamilton baseado em uma Eta/VJ 7753, dentre as modificações, a mais significativa é a extensão da carga para 60 horas.

OMEGA CAL. 9300
Principais características: 60 horas de carga, com 2 tambores de corda (permitindo manter a frequência em 28.8k), espiral antimagnética, cronógrafo com Column Wheel.
Pois bem. Nada disso é novidade e pode ser encontrado em relógios de gama inferior.
Column weel? Inventado em 1878 e na verdade, a grande inovação dos Valjoux 7750 foi substituir as tradicionais rodas de coluna (Column Wheel) por alavancas que sofrem menor desgaste. Espiral de silício? qualquer Seiko de entrada usa espiral SPRON anti-magnética.
Dois tambores de corda... ganha-se em reserva de marcha, perde-se em custo de manutenção.
Escape Co-axial? Há quem rebata com o argumento da precisão mas, hoje em dia, qualquer ETA ou Sellita standard é capaz de manter uma marcha de +- 2s/d se bem regulada. A variação de marcha nestes calibres já não é um problema.
Enfim, nada novo aqui a não ser o fato de ter sido desenvolvido por eles. Ah, recordam que mencionei os calibres B01 da Breitling? Bueno, esse pode até ser chamado de in house, mas é feito na casa dos outros.
O famigerado calibre da Breitling, foi desenvolvido pela Acrotec ( https://www.acrotec.ch/en/ ), está lá para quem quiser ver e isso elucida muito o ponto chave deste artigo.

O que um calibre in house lhe traz efetivamente?

Como referido, satisfação pessoal. Mais do que avanços técnicos, o in house se tornou uma mera justificativa horológica para cobrar mais caro, em termos que nada novo ou significativo é trazido ao público.
Que fique claro, o objetivo aqui não é a demonização desses calibres, pois todos são bem construídos, possuem qualidade e imprimem um valor. Dizer se vale a pena ou não é uma questão personalíssima, entretanto, mais importante do "quem faz" é o "o que faz". Independente da manufatura, seja in house ou não, existem bons calibres com complicações interessantes e complicações bonitas sem usar de artifícios ou “Marketing Stunts” para tentar justificar coisa alguma.

Ramiro C.

*O presente esboço apenas arranha a superfície da questão e tem como objetivo fomentar a discussão sobre o tema, baseado na minha percepção.

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14/05/20 - 05:38
  Quote  #2
Mensagem por Eduardo
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Grande RCComes...parabéns por mais essa ediçao do jornal, desta vez com um artigo super interessante que realmente prende a atençao.

Concordo com tudo o que vc disse, principalmente quanto ao fato de que o "in house" nao significa, necessariamente, qualidade superior em relaçao a outros calibres.

Contudo, se me permite, gostaria de adicionar um grazinho de areia quanto ao tao falado calibre "in house" e é a questao da diferenciaçao da marca.

Ou seja, dentro da satisfaçao pessoal que se pode ter quando se adquire um calibre "in house", que vc bem mencionou, vai uma boa dose de prazeirosa adesao e confiança a uma marca que, para desenvolver seu calibre totalmente "in house", tem que investir uma boa soma de $$$ com pesquisa em inovaçao e novos materiais, mao de obra de ponta, desenho, patente, testes, correçoes, etc. e, finalmente, conseguir colocar seu produto no mercado.

Assim sendo, creio que uma marca que tem calibres totalmente "in house", como a Orient, por exemplo, oferece um produto diferenciado de outra marca que usa calibres fornecidos por outrem, ainda que esse "in house" nao seja, necessariamente, melhor do que os outros. Essa diferença nao está na qualidade do calibre, mas sim no heritage da Marca e em sua força por detrás de seu nome.

Pessoalmente, eu creio que isso é muito atrativo, embora nao seja um critério que prevaleça sobre outros na hora que eu vou escolher um relógio.

Mais uma vez obrigado por nos brindar com esse artigo tao interessante.

Abraçao,

 
15/05/20 - 04:03
  Quote  #3
Mensagem por RCComes
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Obrigado, Edu. que bom que curtiu.

Em relação a sua colocação, eu não retiro o mérito das manufaturas em desenvolverem o próprio calibre e claro, é um diferencial. Meu ponto é que não faz muita diferença.
Evidente que dentro do colecionismo temos a tendência de buscar coisas diferentes, mas racionalizando, não vejo o in house como fator decisivo para nada.
 
18/05/20 - 02:07
  Quote  #4
Mensagem por Eduardo
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Mais uma vez, parabéns pela iniciativa e pelo interessante artigo.

abraçao,
 
20/05/20 - 02:26
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Mensagem por RCComes
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https://justwatchesbr.wixsite.com/website/post/algumas-micro-marcas-e-revamps

Saiu mais um. textinho curto e despretensioso.
 
25/05/20 - 05:49
  Quote  #6
Mensagem por Eduardo
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Quote: Originalmente postado por RCComes em 5/20/2020 2:26:44 AM
https://justwatchesbr.wixsite.com/website/post/algumas-micro-marcas-e-revamps

Saiu mais um. textinho curto e despretensioso.






Bom texto...quando vc puder ou for possível, sugiro incluir nos comentários a micro marca Dan Henri e o boato de que a Glycine foi comprada pela Invicta (será??).

abraço.
 
26/05/20 - 15:07
  Quote  #7
Mensagem por Toluka
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Muito interessante, parabéns!!
 
27/05/20 - 10:52
  Quote  #8
Mensagem por RCComes
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Quote: Originalmente postado por Eduardo em 5/25/2020 5:49:36 AM
Quote: Originalmente postado por RCComes em 5/20/2020 2:26:44 AM
https://justwatchesbr.wixsite.com/website/post/algumas-micro-marcas-e-revamps

Saiu mais um. textinho curto e despretensioso.





A compra da glycine pela invicta não é boato não. é fato. faz tempo já. Dá até pra notar a visível queda de qualidade nos relógios.

Quanto aos Dan Henry, parece que a marca é de um brasileiro, pasme.
Em relação ao relógio, nunca tive um, só sei que o modelo dele mais famoso é um compressor igual todos os outros e usam NH35. agora, considerando o valor... parecem ok. hoje em dia até seiko e oriento estão na faixa dos 500 usd...

Bom texto...quando vc puder ou for possível, sugiro incluir nos comentários a micro marca Dan Henri e o boato de que a Glycine foi comprada pela Invicta (será??).

abraço.




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